Artigo · Gestão e finanças
O que é arquivo OFX: o que tem dentro, para que serve e como abrir
Arquivo OFX é o extrato do banco em formato de dados. Veja o que tem dentro, por que aparece como Money, como abrir e quando usar CSV ou PDF.
Por Henrique SampaioPublicado em 9 min de leitura

Resumo em 30 segundos
- Arquivo OFX é o extrato bancário em formato de dados: um arquivo de texto, com extensão .ofx, que lista cada lançamento em campos padronizados para ser lido por programas financeiros.
- OFX significa Open Financial Exchange, padrão anunciado em 1997 por Microsoft, Intuit e Checkfree e mantido hoje pelo grupo de trabalho OFX do Financial Data Exchange (FDX).
- Dentro do arquivo estão os dados da conta, o período, cada transação com tipo, data, valor, identificador e descrição, e o saldo no fim do período.
- O OFX não foi feito para ser lido por pessoas: para usar, importe num programa de gestão financeira; para só conferir o conteúdo, abra num editor de texto.
- Quando o banco não oferece OFX, o CSV é a segunda opção para importar, e o PDF serve para guardar e enviar ao contador.
Neste artigo
- O que é um arquivo OFX?
- Por que o banco chama o OFX de "Money"?
- O que tem dentro de um arquivo OFX?
- Como abrir um arquivo OFX?
- Qual a diferença entre OFX, CSV e PDF?
- Como conseguir o arquivo OFX do seu banco?
- Mandar o arquivo OFX por e-mail é seguro?
- Como fazer isso no LUME Hub
- Resumindo
- Perguntas frequentes
Imagine que o seu contador manda uma mensagem curta: "me envia o OFX de setembro". Você abre o internet banking, encontra uma lista de formatos com nomes como "OFX (Money 2000 em diante)", "OFC" e "QIF" e não sabe qual escolher. Baixa um deles, dá dois cliques e o computador pergunta com que programa abrir.
Este guia explica o que é o arquivo OFX, de onde vem o nome "Money", o que existe dentro dele, como abrir, o que fazer quando ele não importa e quando o CSV ou o PDF fazem mais sentido.
O que é um arquivo OFX?
Arquivo OFX é o extrato bancário em formato de dados: um arquivo de texto, com extensão .ofx, que lista cada lançamento da conta em campos padronizados para ser lido por programas financeiros. Ele não foi feito para ser lido por pessoas, e sim para ser importado sem digitação.
A sigla vem de Open Financial Exchange. Segundo o Financial Data Exchange (FDX), o consórcio que hoje cuida do padrão, Microsoft, Intuit e Checkfree anunciaram a especificação em 16 de janeiro de 1997, e a primeira versão saiu em 14 de fevereiro do mesmo ano. O OFX juntou elementos de formatos que já existiam nas três empresas, como o Open Financial Connectivity, da Microsoft, e o OpenExchange, da Intuit.
O padrão continua vivo. O grupo de trabalho OFX do FDX mantém a versão OFX Banking 2.3 e informa que o formato está em uso em mais de 7.000 instituições financeiras. Para quem só quer levar o extrato para o controle financeiro, basta saber que o OFX é o formato que os programas de gestão entendem melhor.
Por que o banco chama o OFX de "Money"?
Porque o OFX nasceu para alimentar programas de finanças pessoais, e muitos bancos identificam o formato pela versão do programa compatível. No simulador oficial do Bradesco Net Empresa, por exemplo, a janela de salvar o extrato separa os formatos em grupos, e o de "Gerenciador Financeiro" traz "OFX (Money 2000 em diante)".
Nessa mesma tela aparecem outros nomes que confundem:
- OFC (Money 97, 98 e 99): o formato anterior, para programas antigos. Não é o mesmo que OFX.
- QIF (Quicken Interchange Format): outro formato de troca, ligado ao Quicken, da Intuit.
- OFX (Money 2000 em diante): é este que a maioria dos sistemas de gestão pede quando fala em "arquivo OFX".
A regra prática: se o sistema que vai receber o arquivo pede OFX, escolha a opção que tem "OFX" no nome, mesmo que venha acompanhada de "Money".
O que tem dentro de um arquivo OFX?
Dentro do arquivo OFX estão os dados da conta, o período do extrato, a lista de transações e o saldo no fim do período, cada informação marcada por uma etiqueta (tag) com nome fixo. É essa marcação que permite ao programa saber, sem adivinhar, o que é data, o que é valor e o que é descrição.
As etiquetas mais importantes para quem concilia o caixa são estas:
| Etiqueta | O que guarda | Por que importa |
|---|---|---|
BANKACCTFROM | Banco, agência e número da conta | Garante que o extrato vai para a conta certa |
DTSTART e DTEND | Início e fim do período exportado | Mostra se o arquivo cobre o mês inteiro |
STMTTRN | Um bloco por transação | Cada bloco vira um lançamento no seu controle |
TRNTYPE | Tipo da transação (crédito, débito e outros) | Ajuda a separar entradas de saídas |
DTPOSTED | Data do lançamento, no formato ano, mês e dia | Coloca o lançamento no dia certo do caixa |
TRNAMT | Valor, negativo para saídas | Dispensa digitar e evita troca de sinal |
FITID | Identificador único que o banco dá à transação | Permite reconhecer um lançamento já importado |
NAME ou MEMO | Descrição, como o nome de quem mandou um Pix | Base para categorizar |
LEDGERBAL | Saldo e a data a que ele se refere | Serve para conferir se o controle bate com o banco |
Um lançamento, visto num editor de texto, tem mais ou menos esta cara (exemplo fictício):
<STMTTRN>
<TRNTYPE>CREDIT</TRNTYPE>
<DTPOSTED>20261015</DTPOSTED>
<TRNAMT>1500.00</TRNAMT>
<FITID>202610150001</FITID>
<MEMO>PIX RECEBIDO CLIENTE EXEMPLO</MEMO>
</STMTTRN>
O campo que mais faz diferença no dia a dia é o FITID. Como cada transação tem o seu, um programa de gestão consegue perceber que aquele Pix de R$ 1.500 já entrou na importação anterior e não lança de novo. É por isso que o OFX costuma dar menos trabalho que o CSV na hora de evitar duplicidade.
Como abrir um arquivo OFX?
Para usar um arquivo OFX, importe-o num programa de gestão financeira ou de contabilidade; para só conferir o que tem dentro, abra-o num editor de texto, como o Bloco de Notas. Dar dois cliques raramente funciona, porque o sistema operacional não costuma ter um programa associado a essa extensão.
Na prática:
- Para importar: no seu sistema financeiro, procure a opção de importar extrato e selecione o arquivo .ofx. O programa lê as etiquetas e mostra os lançamentos já organizados.
- Para conferir: clique com o botão direito no arquivo, escolha abrir com um editor de texto e veja as datas em
DTSTARTeDTENDe o saldo emLEDGERBAL. - Para analisar numa planilha: prefira baixar o CSV que o banco oferece, em vez de tentar transformar o OFX.
O arquivo OFX não importa: o que conferir?
Quando o sistema recusa o arquivo, quase sempre o motivo está nesta lista:
- Formato errado: foi baixado o OFC, o QIF ou um PDF, e não o OFX.
- Período vazio: o intervalo escolhido não tem lançamentos, e o arquivo veio sem transações.
- Arquivo alterado: alguém abriu e salvou de novo em outro programa.
- Conta errada: o arquivo é de outra conta; confira os dados em
BANKACCTFROMantes de importar. - Arquivo assinado: alguns bancos geram versões com assinatura digital, que pedem um validador próprio. No Bradesco Net Empresa, a escolha entre arquivo assinado com certificado ICP-Brasil e não assinado aparece antes do formato.
Qual a diferença entre OFX, CSV e PDF?
O OFX foi feito para programas, o CSV é uma tabela em texto feita para planilhas e o PDF foi feito para pessoas lerem e imprimirem. Para importar, o OFX é a primeira escolha, o CSV a segunda e o PDF a última.
O CSV funciona, mas não tem um padrão rígido. A RFC 4180, documento técnico de 2005 que registrou o formato mais comum, reconhece que não havia especificação formal e que isso gerou muitas interpretações diferentes. Na prática, cada banco monta o seu CSV com colunas, separadores e formatos de data próprios. O PDF é ótimo para arquivar e mandar ao contador, mas, para virar lançamento, depende de alguém ou de algum programa ler o layout.
A comparação detalhada, com o que muda na importação de cada um, está no guia OFX ou CSV. E o passo a passo de importar e conciliar está em extrato OFX: como importar e conciliar o caixa.
Como conseguir o arquivo OFX do seu banco?
Em geral, o caminho é abrir o extrato da conta, escolher o período e usar a opção de exportar ou salvar em outro formato, escolhendo OFX. Cada banco dá um nome diferente à opção e nem todos oferecem OFX em todos os canais, por isso vale ter o guia do seu banco à mão:
- Nubank: a exportação começa no aplicativo, a partir do saldo da conta. Na conta Nu Empresas, a página oficial informa que o extrato chega em OFX, PDF e CSV. Veja como exportar o extrato OFX do Nubank.
- Itaú: o extrato fica em "Conta corrente" no Itaú Empresas e na tela inicial do app. Veja como exportar o extrato OFX do Itaú.
- Bradesco: no Net Empresa, a janela "Salvar como Arquivo" lista o OFX entre os formatos. Veja como exportar o extrato OFX do Bradesco.
- Banco do Brasil: veja como exportar o extrato OFX do Banco do Brasil, com o que as páginas oficiais confirmam e o caminho geral.
Exporte sempre períodos fechados, como o mês inteiro, e salve com um nome que diga a conta e o período, por exemplo banco-pj-2026-09.ofx.
Mandar o arquivo OFX por e-mail é seguro?
O arquivo OFX não dá acesso à conta nem permite movimentar dinheiro, mas traz o número da conta, o saldo e o nome de quem pagou ou recebeu, então trate-o como documento sensível. Ele é uma cópia do extrato, nada além disso.
Três cuidados simples resolvem:
- envie o arquivo só para quem precisa dele, como o contador ou o sistema financeiro da empresa;
- não publique o arquivo em grupos ou pastas abertas;
- apague as cópias soltas no computador depois de importar, se a sua rotina não precisa delas.
Como fazer isso no LUME Hub
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Resumindo
Arquivo OFX é o extrato do banco em formato de dados, com cada lançamento em campos padronizados para ser importado por programas financeiros, sem digitação. Dentro dele estão a conta, o período, cada transação com data, valor, descrição e identificador próprio, e o saldo final. O nome "Money" que aparece nos bancos é só a referência ao programa compatível; o que importa é escolher a opção com "OFX", e não OFC ou QIF. Para abrir, importe num sistema de gestão; para conferir, use um editor de texto. Próximo passo: exporte o extrato do último mês fechado em OFX e confira, no editor de texto, se as datas e o saldo batem com o banco.
Perguntas frequentes
OFX e OFC são a mesma coisa?
Não. Os dois aparecem lado a lado em alguns bancos, mas o OFC é o formato antigo, para programas da década de 1990. No Bradesco Net Empresa, por exemplo, a lista mostra 'OFC (Money 97, 98 e 99)' e 'OFX (Money 2000 em diante)'. Se o seu sistema pede OFX, escolha OFX.
Posso converter PDF em OFX?
Existem conversores, mas o resultado depende de ler o layout do PDF, e um erro de leitura vira lançamento errado no seu controle. Antes de converter, procure a opção OFX ou CSV nos dois canais do banco, aplicativo e internet banking, porque nem sempre os dois oferecem os mesmos formatos.
O arquivo OFX vem com senha?
O OFX comum é um arquivo de texto aberto, sem senha. Alguns bancos oferecem versões assinadas digitalmente: o Bradesco Net Empresa, por exemplo, permite exportar o extrato assinado com certificado ICP-Brasil, que se confere num validador próprio.
OFX e QIF são a mesma coisa?
Não. O QIF (Quicken Interchange Format) é outro formato de troca, ligado ao Quicken. No Bradesco Net Empresa, os dois aparecem no mesmo grupo de 'Gerenciador Financeiro', mas como opções separadas. Se o sistema pede OFX, um arquivo QIF não serve.
O OFX serve para declarar Imposto de Renda?
O OFX é extrato, não informe de rendimentos. Ele ajuda o contador a conferir movimentações, mas a declaração usa os informes que o banco emite. No Nubank, o informe IRPJ da conta Nu Empresas também pode ser enviado em OFX, PDF e CSV.
Fontes e leitura oficial
Henrique SampaioCEO e cofundador da LUME e do LUME HubHenrique Sampaio é CEO e cofundador da LUME (We Are Lume) e do LUME Hub, que nasceu como a área do cliente da mentoria da LUME. Escreve sobre o que o Hub resolve no dia a dia de pequenos negócios, agências e empresas de serviço: Instagram, conteúdo, vendas, prospecção, Google, anúncios e gestão.


